5 de mar. de 2014


Cada pessoa vivencia o luto, seja da morte do ser amado, do rompimento de um laço afetivo ou até mesmo de um ideal inatingível, de modo singular. Uns conseguem atravessar o período de luto e, com o tempo, transpor a dor da perda e continuar a viver. Outros eternizam o sofrimento produzindo depressão, doenças psicossomáticas, etc. Muitas vezes, por devoção ao ser amado que partiu ou por ter investido excessivamente em um objetivo, algumas pessoas se mantêm num estado de sofrimento crônico porque suas vidas se esvaziaram de sentido após a perda. Neste caso, o significado de suas vidas encontrava-se atrelado à existência desse outro tão amado ( que pode ser um ideal também).

Quando nós percebemos que o sofrimento não cede com o passar do tempo, deveríamos nos fazer a seguinte pergunta: o que perdemos com a perda da pessoa amada (ou do ideal irrealizável)? Essa é uma questão primordial para que nos situemos frente a tanto pesar.
Nós nascemos desamparados, vivemos e morremos com a sensação de que jamais fomos suficientemente amparados. A condição humana nos impõe muitas angústias e as perdas da vida nos remontam a esse estado primitivo de desamparo próprio do humano.


Recomeçar a vida, continuar as atividades praticadas antes da perda, investir em outros vínculos afetivos, construir novos ideais, tudo isso faz parte de uma tarefa árdua, mas necessária. A aceitação da perda e sua elaboração tornam-se fundamentais para a recuperação do enlutado. Entretanto, esse trabalho requer grande esforço psíquico que, em alguns casos, só pode ser realizado durante um processo de análise, espaço onde a pessoa poderá produzir um outro olhar sobre o seu modo de sofrer, o que lhe permite conduzir os acontecimentos da vida e, não apenas, se deixar ser conduzida pelos mesmos.

 
Roberta Amorelli
Psicóloga - RJ




 

 




0 comentários :